Maverick GT: fuja da rotina

Cupê esportivo nacional volta à plena forma depois de longa restauração

Renato Bellote// Fotos: Fabio Aro

Fabio Aro

Ford Maverick GT 1973

A década de 70 foi única sob vários aspectos. A moda abusou do exagero criando looks marcantes. A música embalou milhões de mentes que buscavam apenas liberdade de espírito. No campo automotivo a crise do petróleo tirou os beberrões das ruas, mas não sem antes dar espaço a algumas máquinas inesquecíveis.

É interessante salientar também que o mundo passava por um período de transformações. Guerras, novas tecnologias, fim dos Beatles, morte do rei do rock Elvis Presley. Realmente foram anos que não passaram em branco. Aliás, a própria televisão em cores passou a marcar presença nos lares brasileiros.

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Estávamos vivendo o chamado ”milagre econômico” e foi uma época de grandes esportivos equipados com motores de oito cilindros em V. É o caso deste belíssimo Ford Maverick GT, na cor Laranja Mandarin, que saiu da linha de montagem exatamente no dia 13 de dezembro de 1973. E ninguém melhor do que o dono da máquina, Reinaldo Silveira, para contar essa história em detalhes.

O título da matéria nos remete ao slogan que a empresa criou com o intuito de estimular as vendas. Nesse período ele tinha concorrentes de peso e disputava a atenção com o Dodge Charger R/T e o Chevrolet Opala SS, isso sem falar do Puma GTB S1, que chegaria mais tarde esquentando a briga.

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Entre uma série de curiosidades sobre o carro, uma se destaca: quase que o modelo não veio para o Brasil. A Ford estudava a idéia de trazer o europeu Taunus em seu lugar. Mas o sucesso do Maverick nos Estados Unidos fez com que a diretoria mudasse de idéia. Até se comenta que um laboratório feito com possíveis compradores apontou a escolha da primeira opção, mas o norte-americano acabou sendo lançado.

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Esse clássico nacional chama a atenção à distância. As faixas pretas na carroceria evidenciam seu espírito esportivo. Como muitos veículos antigos esse também passou por um rigoroso processo de restauração. “O trabalho durou oito meses, de dezembro de 2006 a julho de 2007. Suspensão e embreagem novas, motor retirado, pintado e todos os selos substituídos. Coletores de exaustão aluminizados. Sistema elétrico novo. Interior original, com bancos de couro respeitando o padrão de fábrica. Essa restauração foi conduzida pelo João Rondini, com resultados muito bons”, conta Reinaldo.

Uma das características mais marcantes é o ronco do veoitão, que não passa sem ser notado. Ele recebeu um carburador quadrijet da Holley, comando de válvulas Crane 272/278º, coletor de admissão Edelbrock de alumínio, distribuidor Mallory e ignição Crane. O sistema de escapamento é um 8×2 e o Ford despeja aproximadamente 260 cavalos brutos no asfalto. E tem mais: “o câmbio é um Tremec T5 e o carro ainda tem freios a disco nas quatro rodas e utiliza pneus Cooper Cobra 225/60 R14 na frente e 245/60 R14 na traseira”, salienta o proprietário.

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Reinaldo também conta que tem outras máquinas na coleção, mas o cupê da Ford tem uma história especial. “A mais marcante é que sempre quis um Maverick, que acabou sendo só o terceiro carro antigo que adquiri depois do Landau 1981 a álcool e do Charger R/T 1978”, ressalta. “Logo que comprei meu pai ficou muito contente, pois sabia da minha vontade de ter um deles. Então ele foi para a restauração e sempre me perguntava quando ficaria pronto. Infelizmente o processo somente terminou dois meses após seu falecimento”, diz.

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O GT segue se destacando no trânsito e também na passarela. Ele participou dos desfiles dos dois últimos eventos chamados de “Maverick Night”, realizados no sambódromo do Anhembi. Além disso, sai para esticar os músculos a cada quinze dias, sempre abastecido com gasolina aditivada.

Desse modo o esportivo marcou vidas, deixou lembranças e, mesmo após trinta e seis anos, segue fascinando as pessoas de espírito jovem e apaixonadas por carros. No caso do Reinaldo ele passou a simbolizar também, de certo modo, um elo forte e eterno entre pai e filho.

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